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Gerente de projetos: cargo ou função?

Publicado por Edson Garcia em February 10, 2010 – 8:50 pm3 Comentários

Gerente de projetos - função ou cargo

Como diria o professor Finocchio: “Você não é gerente de projetos, você está gerente de projetos”.

Olha … eu não concordava muito com isso, até ter minha primeira experiência como “função”.

Muitas pessoas lutam para ter o cargo GERENTE DE PROJETOS. Aliás, esse cargo existe? Sim existe, mas pelo que pude acompanhar nos anos de trabalho, em poucas empresas, normalmente em consultorias onde se trabalha 100% com projetos.

Se você pegar empresas de qualquer outro segmento, como por exemplo industria de produtos alimentares e varejo (exemplos que conheço), fica dificil manter um fulano com este cargo simplesmente porque talvez não existam projetos o ano todo para ele atuar.

Na empresa que trabalho, esse cargo não tem nem como existir, é uma função mesmo, assumida pelos analistas de negócio e dependendo das dimensões do projeto e da disponibilidade do time, pelo gerente de sistemas. Falo especificamente de TI, mas já vi que nas demais áreas da empresa esse princípio da função também é válido, por exemplo, o analista de marketing é gerente de projetos de marketing quando existem projetos na área.

Tudo acontece de acordo com a necessidade, com a demanda do momento. Se não temos projeto atuamos no dia-a-dia (on going) da companhia mantendo os sistemas operacionais e garantindo a continuidade do negócio. Se surgem projetos, somos nomeados como “gerente de projeto” e um time é montando para trabalhar com o gp. Finalizado o projeto, o GP volta para suas atividades de analista. O esquema funciona mais ou menos como a sazonalidade em supermercados. Em épocas se vende com mais ênfase ovos de páscoa, em outras arroz e feijão.

O grande problema é a sobreposição de responsabilidades quando você tem que atuar como gerente de projetos e analista simultaneamente. E isso é muito comum infelizmente. Ao mesmo tempo que você está gerenciando um importante projeto, é interrompido para auxiliar a solucionar um incidente em ambiente de produção e também precisa realizar testes em um programa que o desenvolvedor liberou. A troca de chapéu acontece várias vezes ao dia. Em um mesmo dia somos gerente de projeto, analista de negócios, analista de testes e analista de suporte … e a qualidade vai para o brejo né … é aquela velha história do pato. O pato teima em fazer de tudo um pouco. Ele sabe nadar, correr e voar, mas não consegue fazer nenhuma das 3 atividades direito, pois não consegue dar foco em nenhuma delas. Ele nada mais ou menos … corre meia-boca e voa daquele jeito … Você se sente meio pato as vezes? A diferença é que somos pato por imposição e não por opção.

Outro problema é conseguir o apoio do time, os demais analistas que irão compor o seu time de projeto.  Dependendo do nível de relacionamento e comportamento dos profissinais, talvez seja difícil conseguir o apoio deles porque podem partir para uma linha de raciocío do tipo “olha lá … é analista igual nós e está se sentindo o chefinho agora”. É pessoal, tem muita gente com essa mentalidade quadrada por ai.

Sei que os papas do project management vão contra essa questão da “função gestor de projetos” mas, a verdade é que o mercado trabalha assim em sua grande maioria e gostando ou não, temos que nos adaptar às realidades dele.

Eu também gostaria de ser GP em tempo integral, mas por hora não dá … opa … aliás, deixa o GP aqui sair correndo porque o faturamento de todos CDs do Brasil parou após a implantação de uma release nova do ERP … deixa eu trocar de chapéu e vestir o de analista para apagar esse incêndio … fui!

Abraço!

3 Comments »

  • Carlos said:

    Olá Edson,

    Gostei do artigo e acho que veio a calhar pois é uma questão que venho me perguntando a algum tempo. Na empresa onde trabalho vejo GP´s trabalhando e se sentindo os “chefinhos”. Ai, pode vir a galera do PM* e reclamar a vontade, falando que baseado em teorias e estudos e mais em 50 milhões de páginas de livros internacionais que tem que ter um PMO e tudo estruturado.

    Mas ai eu digo, vejo GP´s que querem ser somente GP´s, contudo, como diria um amigo meu, vamos por partes !!! Eu sou a favor do GP que pode até ser o gerente, mas que conheça do projeto, que se intere, que numa reunião com o cliente ele ao invés de levar o analista que saiba do que está falando. Tem que conhecer o requisito, tem que saber avaliar se a arquitetura que estão falando vai suportar bem o projeto.

    Falando de TI, o GP é o cara que tem que fazer o projeto dar certo, então tem que ser um cara que tenha ao menos a capacidade de colocar outro boné. E falo isso porque já vi muito projeto (em grandes e pequenas empresas) ir pro buraco só porque o GP (com PMI e tudo) não quer saber o que ACONTECE no projeto dele. Ele quer somente ver o cronograma e utilizar jargões “TÁ PRONTO?”; “BOTA MAIS RECURSO.”.

    E por falar em recurso, engraçado, os funcionários que viraram colaboradores (pessoas) agora se igualam a recursos como uma impressora ou mais avançados um pouco… um aparelho de fax.

    Um abraço e parabéns pelo trabalho !!!

  • Franco said:

    Eu tenho muita experiência na área comercial e tenho interesse em entrar na área de TI pela setor de negócios. Para complementar minha experiência, eu pretendo fazer um curso de gestão de projetos ou uma MBA em projetos, mas tem um problema, eu tenho conhecimento de TI a nível de usuário e pelo artigo acima, não adianta eu fazer um curso ITIL ou PMBOK ou algo similar ou MBA ou gestão de projetos, se não tiver a capacidade de colocar outros bonés.
    Alguém pode me disser se isso é fato?

  • Edson Garcia (author) said:

    Franco, eu já trabalhei com 2 GPs que eram jornalistas por formação. Tudo vai depender do ambiente que vc encontrar pela frente. Se existir a cultura da troca de chapéus na empresa e vc precisar atuar como analista, vai ficar um pouco complicado devido seu background ser integral em business, agora se vc for atuar 100% como GP, acho que a transição será tranquila como no caso destes 2 gps. Ambos fizeram especialização em TI.

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