Gerente de projetos: cargo ou função?
Como diria o professor Finocchio: “Você não é gerente de projetos, você está gerente de projetos”.
Olha … eu não concordava muito com isso, até ter minha primeira experiência como “função”.
Muitas pessoas lutam para ter o cargo GERENTE DE PROJETOS. Aliás, esse cargo existe? Sim existe, mas pelo que pude acompanhar nos anos de trabalho, em poucas empresas, normalmente em consultorias onde se trabalha 100% com projetos.
Se você pegar empresas de qualquer outro segmento, como por exemplo industria de produtos alimentares e varejo (exemplos que conheço), fica dificil manter um fulano com este cargo simplesmente porque talvez não existam projetos o ano todo para ele atuar.
Na empresa que trabalho, esse cargo não tem nem como existir, é uma função mesmo, assumida pelos analistas de negócio e dependendo das dimensões do projeto e da disponibilidade do time, pelo gerente de sistemas. Falo especificamente de TI, mas já vi que nas demais áreas da empresa esse princípio da função também é válido, por exemplo, o analista de marketing é gerente de projetos de marketing quando existem projetos na área.
Tudo acontece de acordo com a necessidade, com a demanda do momento. Se não temos projeto atuamos no dia-a-dia (on going) da companhia mantendo os sistemas operacionais e garantindo a continuidade do negócio. Se surgem projetos, somos nomeados como “gerente de projeto” e um time é montando para trabalhar com o gp. Finalizado o projeto, o GP volta para suas atividades de analista. O esquema funciona mais ou menos como a sazonalidade em supermercados. Em épocas se vende com mais ênfase ovos de páscoa, em outras arroz e feijão.
O grande problema é a sobreposição de responsabilidades quando você tem que atuar como gerente de projetos e analista simultaneamente. E isso é muito comum infelizmente. Ao mesmo tempo que você está gerenciando um importante projeto, é interrompido para auxiliar a solucionar um incidente em ambiente de produção e também precisa realizar testes em um programa que o desenvolvedor liberou. A troca de chapéu acontece várias vezes ao dia. Em um mesmo dia somos gerente de projeto, analista de negócios, analista de testes e analista de suporte … e a qualidade vai para o brejo né … é aquela velha história do pato. O pato teima em fazer de tudo um pouco. Ele sabe nadar, correr e voar, mas não consegue fazer nenhuma das 3 atividades direito, pois não consegue dar foco em nenhuma delas. Ele nada mais ou menos … corre meia-boca e voa daquele jeito … Você se sente meio pato as vezes? A diferença é que somos pato por imposição e não por opção.
Outro problema é conseguir o apoio do time, os demais analistas que irão compor o seu time de projeto. Dependendo do nível de relacionamento e comportamento dos profissinais, talvez seja difícil conseguir o apoio deles porque podem partir para uma linha de raciocío do tipo “olha lá … é analista igual nós e está se sentindo o chefinho agora”. É pessoal, tem muita gente com essa mentalidade quadrada por ai.
Sei que os papas do project management vão contra essa questão da “função gestor de projetos” mas, a verdade é que o mercado trabalha assim em sua grande maioria e gostando ou não, temos que nos adaptar às realidades dele.
Eu também gostaria de ser GP em tempo integral, mas por hora não dá … opa … aliás, deixa o GP aqui sair correndo porque o faturamento de todos CDs do Brasil parou após a implantação de uma release nova do ERP … deixa eu trocar de chapéu e vestir o de analista para apagar esse incêndio … fui!
Abraço!





Olá Edson,
Gostei do artigo e acho que veio a calhar pois é uma questão que venho me perguntando a algum tempo. Na empresa onde trabalho vejo GP´s trabalhando e se sentindo os “chefinhos”. Ai, pode vir a galera do PM* e reclamar a vontade, falando que baseado em teorias e estudos e mais em 50 milhões de páginas de livros internacionais que tem que ter um PMO e tudo estruturado.
Mas ai eu digo, vejo GP´s que querem ser somente GP´s, contudo, como diria um amigo meu, vamos por partes !!! Eu sou a favor do GP que pode até ser o gerente, mas que conheça do projeto, que se intere, que numa reunião com o cliente ele ao invés de levar o analista que saiba do que está falando. Tem que conhecer o requisito, tem que saber avaliar se a arquitetura que estão falando vai suportar bem o projeto.
Falando de TI, o GP é o cara que tem que fazer o projeto dar certo, então tem que ser um cara que tenha ao menos a capacidade de colocar outro boné. E falo isso porque já vi muito projeto (em grandes e pequenas empresas) ir pro buraco só porque o GP (com PMI e tudo) não quer saber o que ACONTECE no projeto dele. Ele quer somente ver o cronograma e utilizar jargões “TÁ PRONTO?”; “BOTA MAIS RECURSO.”.
E por falar em recurso, engraçado, os funcionários que viraram colaboradores (pessoas) agora se igualam a recursos como uma impressora ou mais avançados um pouco… um aparelho de fax.
Um abraço e parabéns pelo trabalho !!!
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